Ele - Oi, amor…
Eu dizendo: – Oi…
Eu, pensando: (É isso mesmo, eu não quero mais! Eu sou capaz de coordenar frases e as minhas pernas não tremem quando teu cheiro está por perto e fica em mim e é todo doce e dá uma vontade de te sentir e respirar e…. Não! Agora eu vou esperar você começar a falar, pra te dizer tudo isso e fim! Não preciso mais de você!
E, também, e daí se eu não estiver conseguindo coordenar frase nenhuma, se pelo menos elas são minhas e vão onde eu quiser porque eu sou dona delas e você não é e você vive roubando tudo de mim, inclusive eu mesma que me olho no espelho e te vejo nos meus olhos que agora estão molhados, eu sei, mas eu não vou chorar porque não é isso que mulheres fortes fazem e eu sou muito forte e….)
Ele – Ta tudo bem?
(Óbvio que não ta tudo bem! Eu fico me perdendo em sonhos tão densos quanto o teu sorriso, que agora me fecha os olhos feito venda, e devia mesmo ser, digo, uma venda, porque assim talvez você não reparasse que eu quero chorar e que eles estão molhados e são tão mais seus do que meus….)
Eu, dizendo – Tudo…
Eu, pensando: (Tudo? TUDO? Céus! Por que é que eu disse tudo?)
Ele – Como foram as coisas enquanto eu estive fora?
(Não posso acreditar que ele ta me perguntando isso. Como foram as coisas? Eu vou te falar como foram as coisas!!)
Eu, dizendo – Tudo normal…
Eu, pensando: (Preciso ser mais corajosa! Ta aí, mais uma resolução pra minha lista: Coragem. Eu devia mesmo ter dito que as coisas por aqui, quando você foi embora, simplesmente “não foram”. Não aconteceram e, se aconteceram, eu não prestei atenção. A verdade é que quando você vai, eu também vou e me deixo aqui, sozinha. Os meus pensamentos estão sempre com os seus e a minha alma te acompanha…)
Ele – Sentiu minha falta?
Eu, pensando: (Se eu senti? Sentir foi só o que eu fiz. Não consigo me lembrar se eu comi, se eu me movimentei, mas de sentir eu me lembro…)
Eu, dizendo: – É…
Eu, pensando: (Eu me lembro de sentir cada parte do seu corpo mais distante do que realmente de fato deviam estar, e isso é muito, muito distante… Eu me lembro de procurar em mim algum conforto silencioso, sem essa barulheira que a saudade faz, pra pensar no que eu quero e eu acho que não quero mais…
Não, não! O que ele ta fazendo? Por que ta se aproximando? Êpa, Calma aí, não era pra conversarmos? Ai meu Jesus cristinho, esse beijo me tira o chão… E, hum.. Por algum motivo eu não estou mais conseguindo pensar, e talvez nem seja mesmo hora de terminar, porque, o que é que eu vou fazer sem ele? E no que será que ele ta pensando? Se ele estiver pensando em terminar talvez fosse melhor eu falar primeiro pra não ficar de coitadinha e sair por cima, né. Então eu vou falar, cuidadosamente. Mas e se ele não estiver pensando? É, aí fodeu…)Ele – Eu amo você.
Eu, pensando: (nada mais eficaz que um “eu amo você” pra acalmar os pensamentos de uma mulher, que fofo… Por que mesmo eu tava querendo terminar?.)
Eu, dizendo – Eu também, meu amor.
Ele - Que bom…
Eu, pensando: (será que “meu amor” foi meloso demais? E esse “eu amo você” foi um eu amo você, ou um eu AMO você? E, vem cá, por que ele ta falando isso agora? Deve ter feito alguma coisa e ficou com a consciência pesada. Certeza! Filho de uma puta! Vou esperar ele ir ao banheiro e vasculhar o celular, computador, tudo dele. Mas será possível… Se ele pensa que eu sou idiota tá muito enganado…)
Ele, pensando: (tá carinhosa, tranqüila… Hoje tem! Hum…. será que o Alê sabe quanto foi o jogo?….)
:)
(É claro que eu não sou assim, né? hahaha)
Beijocas,
Laricota.